O Desafio das Mulheres no Mercado de Trabalho

Postado em 03/07/2013 às 08:57hs

É fato: a participação das mulheres no mercado de trabalho vem apresentando contínuo crescimento. A representatividade feminina na população economicamente ativa (PEA) brasileira deve atingir a marca dos 49% em 2020, prevê o Sebrae - SP. E o empenho delas em alcançar esse número é bastante considerável. No portal Curriculum, por exemplo, mais de 406 000 mulheres se cadastraram no site no ano de 2011 em busca de emprego - número 24% maior que o de homens cadastrados - e 100 000 conquistaram uma vaga - saldo 15% maior do que o conquistado pelos homens.

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Hoje elas ocupam 48% dos cargos de supervisão, igualando-se aos homens, e 64% dos postos de coordenação, informa o Grupo Catho. Quando se trata da área de atuação, as mulheres estão mais presentes em recursos humanos (73%), educação (62%) e administração (60%). Já as áreas de tecnologia e indústria/engenharia continuam sendo as que possuem menores índices de atuação feminina, com 16% e 20%, respectivamente.

Outras pesquisas recentes têm abordado a questão da influência da mulher no ambiente de trabalho. Em termos de performance, um estudo da consultoria DDI apontou que empresas com mais mulheres em posições de liderança têm um desempenho financeiro melhor. Isso talvez se deva ao fato de que as mulheres demonstram comportamentos essenciais à liderança, identificados pela McKinsey e divulgados no Brasil pela consultoria LAB SSJ. Dos nove comportamentos essenciais de um líder, cinco foram considerados de natureza feminina: tomada de decisão participativa, inspiração, expectativas e recompensas, papel modelo e desenvolvimento de pessoas.

Uma tendência que parece ser universal entre elas é o desejo de garantir mais provisão financeira para seus filhos ou netos. É uma constatação de quase oito em dez mulheres ouvidas em um levantamento global da MetLife. Da mesma forma, o estudo indica que as mulheres dão muita importância à autossuficiência e querem se preparar para a aposentadoria - a fim de garantir sua independência futura.

Esses e outros números deram às organizações e à área de gestão de pessoas a missão de criar instrumentos para garantir a retenção, o bem-estar e também a ascensão das mulheres nas empresas. Tais tarefas são desafiadoras, já que em determinados momentos da vida, tal como o nascimento dos filhos, as mulheres se veem obrigadas a escolher entre ter uma carreira bem sucedida ou buscar uma rotina mais flexível. Sem falar que elas ainda ganham menos que os homens e nem sempre são alvos de promoções de cargos.

Desigualdades

No universo das 150 melhores empresas para se trabalhar, listadas na 15ª edição do Guia Você S/A-Exame, somente metade das mulheres recebe salários acima da faixa dos 1 530 reais, enquanto entre os homens esse percentual supera os 60%. Em 2010, em se tratando de rendimentos (trabalho, aposentadorias, pensões, transferências etc.), os homens ganharam 42% mais que as mulheres. O rendimento médio mensal delas (984 reais) correspondeu a 70,6% do rendimento deles (1 395 reais), segundo informações do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quando o assunto é chefia, 65% das posições de comando das companhias são ocupadas por eles, e 35% por elas. Entre os presidentes das 150 melhores para se trabalhar, apenas 7% são mulheres. Dados do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) mostram que a presença feminina nos conselhos de administração das companhias brasileiras é de apenas 7,7%, e 66% das empresas não incluem nenhuma mulher em seu conselho.

Nesse assunto o Brasil está em um patamar inferior, quando comparado a países como a Noruega. Lá, 39,5% das vagas dos conselhos são ocupadas por mulheres, de acordo com levantamento feito pela Catalyst, fonte do estudo do IBGC. Quando o assunto é ter ao menos uma mulher ocupando um cargo no conselho, a Suécia tem 100% de suas empresas nesta situação, e a Noruega 96%. Já no Brasil o mesmo índice é de 33%.

O que tem sido feito por elas?

Na Noruega existe, desde 2003, uma lei assegura que 40% das vagas nos conselhos de empresas públicas ou mistas sejam ocupadas por mulheres. Por aqui a ideia é fazer o mesmo, graças ao Projeto de Lei 112 de 2010, da senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE).

E se as leis atuais não têm sido suficientes para impedir que muitas trabalhadoras enfrentem discriminação salarial, criam-se outras. O Senado acabou de aprovar um projeto de lei que multa as empresas que pagarem para as mulheres salários menores do que pagam para os homens, quando ambos realizam a mesma atividade. O empregador que descumprir a lei será obrigado a repassar à funcionária um valor correspondente a cinco vezes a diferença verificada entre os salários em todo o período da contratação.

Percebendo a importância da mulher nos negócios, cada vez mais empresas têm implementado programas de incentivo e desenvolvimento desses talentos. Dados indicam que a participação das mulheres em cargos de diretoria e gerência vem crescendo nos últimos tempos. Na área de recursos humanos, por exemplo, elas já são maioria (67%).

Para favorecer o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional de suas funcionárias, algumas empresas estão apostando mais em políticas e práticas de flexibilidade e bem-estar corporativo. Na Volvo, companhia do setor automotivo, eleita em 2011 a melhor empresa para se trabalhar no Brasil (Guia Você S/A-Exame), as mães já contam com licença-maternidade de seis meses, e a elas é dada a possibilidade de trabalhar meio-período em casa até a criança completar 1 ano.

A Avon, companhia de cosméticos, inaugurou recentemente mais um berçário em suas unidades, dessa vez dentro do Centro de Distribuição de Cabreúva (SP). O berçário atenderá filhos de 6 meses a 2 anos das colaboradoras, oferecendo a eles os cuidados básicos - incluindo espaço para a mãe amamentar seu filho. A empresa já conta com outros dois berçários - um em São Paulo capital e outro em Salvador (BA).

Com o objetivo de buscar a igualdade de gênero nas empresas e nas comunidades, mais de 50 organizações, entre empresas privadas, ONGs, entidades de classe e outras, lançaram em 2011 o "Movimento Empresarial pelo Desenvolvimento Econômico da Mulher", também denominado "+ Mulher 360". O objetivo dessa iniciativa é articular e mobilizar o setor produtivo para ações coordenadas e de impacto, que contribuam para transformar a vida das mulheres. O "+ Mulher 360" tem o apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.


Fonte: Você RH
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